domingo, 3 de maio de 2015

Engrenagem infinita



Dizemos que há um começo
Afirmamos que há um fim
Tudo isso é uma verdade absoluta?

Tudo acontece de forma repetida
Os fatos ocorrem de forma harmoniosa
Em um fluxo continuo
Sem acelerar ou atrasar
Tudo em seu devido tempo

A vida é uma bela e gigante engrenagem
Ela gira no espaço central do relógio do universo
Não conhecemos o fim e nem o começo
Ela simplesmente gira
Não tão rápido e nem tão lento
Mas na sua velocidade adequada

A humanidade são pequenas engrenagens
Acopladas ao eixo central
Movendo ao ritmo dos ponteiros

O projetista elaborou de forma minuciosa
O tamanho de cada engrenagem
Tudo de forma magnífica e assombrosa
As peças se encaixam

Quando o projetista necessita retirar uma engrenagem
Ele a reboem com outra
A nova peça não é igual a antiga
Não possui nem mesmo o formato
Mas mesmo assim se encaixa perfeitamente

A grande engrenagem gira de forma fluida
Não sabemos qual foi o ponto inicial
Não temos idéia qual será o fim
Sabemos que ela continua girando
E seu projetista cuida para que tudo esteja perfeito



Ermanno Noboru Medeiros        

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O fim da guerra



Toda guerra exige
Toda luta cobra
Cada gota do nosso suor
Cada força no músculo

Avanços no campo de batalha
Em nossos peitos bate o coração acelerado
A adrenalina se aflora em nossa pele
E o desejo de vencer é maior que tudo

Lutas que duram horas
Guerras que duram anos
Enquanto há o grito dos golpes
O espírito vivo queima sem fraquejar

Não importa o peso da espada
Não importa o peso dos golpes recebidos
Quando o sangue está acelerado e fervendo
Não sentimos nada

Pelo contrario
Sentimos que podemos carregar mais
Sentimos que conseguimos suportar
Pois a adrenalina fortifica e anestesia

Mas tudo o que um dia começo
Um dia encontrará seu fim
Há lute que dure uma eternidade
Não há corpo que suporte

Quando finalmente a guerra cessa
Computamos os resultados
Temos em nossas mãos o despojo da vitoria
E em nossos corpos o cansaço

Aos poucos o sangue volta na sua velocidade normal
Lentamente ele vai se esfriando
E o que era força e animo
Vai se transformando em fatiga e sono

O caminho que nos levou até a luta
É o caminho que nos leva até nossas moradas
Onde após um longo tempo
Iremos curar as feridas abertas

Se mesmo depois de tantos avisos do corpo
Mesmo depois de todas limitações
Se continuarmos levando esse peso conosco
Se continuarmos lutando como insensatos

A própria natureza se encarrega de livras das angustias
Com os seus braços coloca em berços frios
Mergulhados em um sono profundo
Somos desligado de qualquer luta ou peleja

E quem diria...
Até mesmo os heróis devem reaver seus ânimos após a guerra!



Ermanno Noboru Medeiros    

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Morrendo por dentro



Sonhos tratados como lixo
Objetivos sendo rasgados
E eles te dizendo
Que não mais o porque de lutar

Então você nota
Que está morrendo por dentro
Que seu coração está quebrando
Não há para onde correr
Não há lugar para esconder

Sua alma anseia para gritar
Sua mente só quer descansar
É difícil lidar com isso
Quando você está afundando no desespero

Cada palavra jogada em sua face
Uma flecha atira em seu espírito
Um empurrão recebido
Uma pá de terra jogada em cima

Sua visão escurecendo
Você não consegue ver a luz da manha
Você não vê mais a alegria
Porque suas lagrimas estão atrapalhando

Então você nota
Que está morrendo por dentro
Que seu coração está quebrando
Não há para onde correr
Não há lugar para esconder

Até quando você vai deixar o medo te controlar?
Até quando você vai deixar o desespero te guiar?
Você vai continuar sendo o centro da humilhação?
Até quando uma marionete?

Seu corpo começa a tremer de frio
Esse mundo é um lugar horrível
Você sente medo das sombras
O passado te perseguindo

Então você nota
Que está morrendo por dentro
Que seu coração está quebrando
Não há para onde correr
Não há para onde esconder

Até quando você vai olhar para o lado?
Até quando você vai ficar comparando?
Até quando você vai se importa?
Até quando você vai deixar ser levado?

O mundo não é tão horrível assim
O campo não está queimado
O rio não está seco
As flores não estão murchas

Se agarre no que sobrou de suas forças
Abra os olhos novamente
Faça valer a pena
Levante e continue andando

Permita que seu sonhos corra em suas veias
Permita que sua fé volte a vida
Permita que seu sorriso retorne
Permita que a alegria te contagie

Então você nota
Que está vivendo novamente
Que seu coração está queimando
Que há lugar para correr
Que há uma nova oportunidade
Para se viver!



Ermanno Noboru Medeiros    

No limite de mim



Minha intensa vida
Vivida na velocidade máxima
Sinto meu corpo reclamando
Sinto minha mente fraquejando

Os ponteiros do velocímetro voam pelo ar
Meu sangue fervendo levanta vapor vermelho
O curto-circuito entre minhas cordas neuronais
As explosões dos meus pistões

Os medidores caem drasticamente
A bateria já não possui mais carga
O tanque já está seco

Meus músculos inflamados
Falha nos pistões pneumáticos
A correia dentada se rompem
Não há mais resposta do motor principal

Vida vivida intensamente
Mente trabalhando extremamente
O desejo ardente em meio peito
Superar todos os limites
Superar todo meu medo

A batalha só está começando
Segurando minha espada
Eu luto intensamente
Levo meu corpo até o limite
Até no limite de mim

Mas nem tudo é pra sempre
Nem tudo é infinito

Minhas desgastadas engrenagem perdem o atrito
Minhas molas estão estourando
Minha mente já está falhando

Será esse o fim?

Não deixe essa chama se apagar
Não deixe esse desejo morrer
Não deixe esse sonho se tornar um pesadelo

Um minuto no chão
Que durou um ano de descanso

Sinto os impulsos acelerados pelo meu corpo
Sinto meu sangue correndo pela carne

Queime novamente em meu peito
Carbonize meus medos
Carbonize minhas fraquezas

Os níveis começam a subir
O motor começa a reagir
E aquele frágil corpo se levanta

Agora não é tempo para desistir
Com toda força descarrego
Libere toda energia

E mais uma vez estou em batalha

E mais uma vez
Eu supero o meu limite!




Ermanno Noboru Medeiros

domingo, 25 de janeiro de 2015

Chegar até o fim



E quem disse que seria fácil?
E a gravidade puxando a gente para o chão
E a pressão acelerando a nossa queda
O confortável concreto me prende acomodado

Mas não foi pra isso que eu nasci
Quando mais difícil mais minh'alma queima
E quando mais forte o vento
Mais eu corro até o fim

Meu maior defeito é minha maior qualidade
Sou ruim de cair
E se cair, sou ruim de ficar no chão
Apoiado em minha espada ergo-me novamente
E continuo sempre em frente

Não é hora de morrer
Não é hora de perder
E nem muito menos hora de desistir
Agora é a hora de derrubar os meus medos
Pisar em minhas angústias
E esmagar meu desanimo

Não nasci para ficar deitado
Eu nasci para continuar correndo
Correndo até o fim

Se eu tenho medo de me ferir?
É claro que eu tenho!
Você não acha que dói?
Mas o que tem?
Se eu não correr o risco não vou saber o que tem no fim

Na vida as coisas são simples
Só fracassa quem tenta
E quem não tenta não vence
Se eu fracassar no meio do caminho
Vou pegar o meu despojo
E vou continuar em frente

Minha vida não se resume a segundos
Minha vida não se resume a esse momento
Não vou deixar isso estragar
O sabor de quando eu chegar
No final da jornada

Não vou parar
Vou até o fim

Eu nasci para chegar até o fim!


Ermanno Noboru Medeiros